Contexto socioeconômico

Um forte centro agrícola e um contexto social diversificado.

A bacia superior do Paranapanema é predominantemente rural, com a agricultura sendo fundamental para a geração de empregos e o valor da terra, e apresentando diferenças claras nas condições econômicas e sociais entre os municípios.

Situação atual

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A região possui uma das maiores concentrações de sistemas de irrigação por pivô central no estado de São Paulo, com 1.651 pivôs identificados em 2016, particularmente em municípios como Itaí (11ª maior concentração em nível nacional), Itapeva e Paranapanema.


Além da agricultura, a bacia hidrográfica sustenta indústrias relacionadas à produção de papel e celulose, extração de calcário e processamento de madeira. A região também possui um significativo potencial turístico, particularmente nas áreas dos reservatórios de Jurumirim e Chavantes.

situação econômica

A Bacia do Alto Paranapanema é predominantemente rural, com uma economia fortemente dependente de recursos naturais como terra e água. Embora abranja pouco mais de 9% do território do estado de São Paulo, a bacia gera menos de 1% da produção econômica total do estado.


A atividade econômica está distribuída de forma desigual. Mais da metade do PIB da bacia é produzida por um pequeno número de municípios, notadamente Itapetininga, Itapeva, Angatuba, Pilar do Sul e Capão Bonito.


A agricultura desempenha um papel significativamente maior na economia da bacia do que em todo o estado. Enquanto a agricultura representa cerca de 2% do valor adicionado em todo o estado de São Paulo, no Alto Paranapanema ela contribui com entre 7% e 65% do valor adicionado municipal, dependendo do município. No geral, a bacia gera aproximadamente 12% do valor adicionado agrícola do estado.

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Contribuições setoriais dentro da bacia

Fontes de dados:

Relatório de Situação dos Recursos Hídricos da UGRHI-14 Alto Paranapanema, 2024 (ano base 2023) UGHRI-14

DISPOSITIVO - PIB Municipal 2021

Agricultura Irrigada e Uso Sustentável da Água na Bacia Hidrográfica do Alto Paranapanema (UGRHI 14)

A bacia hidrográfica destaca-se pelo cultivo das seguintes culturas:

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O PIB per capita na bacia hidrográfica corresponde a cerca de metade do PIB per capita do estado de São Paulo, sendo Taquarivaí o único município com PIB per capita acima da média estadual.

A região possui uma das maiores concentrações de sistemas de irrigação por pivô central no estado de São Paulo, com 1.651 pivôs identificados em 2016, particularmente em municípios como Itaí (11ª maior concentração em nível nacional), Itapeva e Paranapanema.


Além da agricultura, a bacia hidrográfica sustenta indústrias relacionadas à produção de papel e celulose, extração de calcário e processamento de madeira. A região também possui um significativo potencial turístico, particularmente nas áreas dos reservatórios de Jurumirim e Chavantes.

Fontes de dados:

Relatório de Situação dos Recursos Hídricos da UGRHI-14 Alto Paranapanema, 2024 (ano base 2023) UGHRI-14

DISPOSITIVO - PIB Municipal 2021

Agricultura Irrigada e Uso Sustentável da Água na Bacia Hidrográfica do Alto Paranapanema (UGRHI 14)

Contexto sociocultural

A bacia hidrográfica do Alto Paranapanema é predominantemente rural e agrícola. Compreende 34 municípios com seus centros administrativos localizados dentro da bacia, além de partes de outros dez municípios.


Em 2021, a bacia hidrográfica tinha aproximadamente 764.000 habitantes, representando menos de 2% da população do estado de São Paulo. A maioria dos municípios possui menos de 30.000 habitantes, e os quatro maiores (Itapetininga, Itapeva, Capão Bonito e Itararé) juntos concentram cerca de 45% da população total da bacia.


Os meios de subsistência na bacia estão intimamente ligados ao uso da terra e da água, sendo a agricultura um componente central da economia local e o cotidiano tendo historicamente moldado os padrões de assentamento, as estruturas familiares e os mercados de trabalho locais, criando uma forte identidade cultural rural.


As condições socioeconômicas refletem desafios persistentes ao desenvolvimento. De acordo com o IPDM (Índice Paulista de Desenvolvimento Municipal) de 2022, 32 dos 34 municípios da bacia hidrográfica apresentam índices abaixo da média estadual, que considera fatores como riqueza, educação e longevidade. Apenas Fartura e Taguaí superam a média estadual.



Embora o acesso à educação básica e aos serviços de saúde exista em algumas partes da bacia, os níveis de renda e a capacidade econômica municipal são geralmente inferiores à média do estado de São Paulo.

IPDM para cada município da bacia hidrográfica em comparação com a média estadual.

A trajetória de desenvolvimento da bacia foi moldada por diversos grupos culturais, sucessivas transições econômicas e diferentes arranjos institucionais. Os municípios seguiram caminhos de desenvolvimento distintos e demonstram capacidades variáveis de gestão pública, tornando a região heterogênea em vez de uniforme.


A região contém sítios arqueológicos, artefatos, padrões de assentamento e rotas de circulação que documentam a presença humana em diferentes períodos. Esses registros oferecem pistas importantes sobre modos de vida, práticas culturais e interações entre humanos e meio ambiente, embora muitos ainda permaneçam pouco estudados.


A partir do século XIX, a abertura de estradas, a expansão agrícola, os ciclos econômicos, a urbanização e as mudanças na posse da terra intensificaram a transformação da paisagem. Essas trajetórias históricas moldaram a configuração e a identidade atuais dos municípios da bacia hidrográfica.


A região abriga associações, cooperativas e pequenos produtores que adotam práticas ambientalmente compatíveis, incluindo produção agroecológica, silvicultura comunitária e artesanato tradicional. Essas iniciativas locais demonstram a capacidade da região de conciliar conservação e produção.


A região possui áreas de interesse paisagístico, cultural e ambiental, incluindo atrações naturais, contextos históricos e iniciativas de turismo rural, ecoturismo e turismo de aventura. Isso reflete o valor cultural atribuído ao patrimônio natural e às tradições locais.

Fontes de dados:

Relatório de Situação dos Recursos Hídricos da UGRHI-14 Alto Paranapanema, 2024 (ano base 2023) UGHRI-14

DISPOSITIVO - PIB Municipal 2021

DISPOSITIVO - IPDM 2022

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Resultados da pesquisa

Crescimento rápido da irrigação

A agricultura na bacia superior do Paranapanema tornou-se cada vez mais dependente do uso intensivo de recursos naturais, particularmente da água.


Um fator crucial para essa mudança foi a expansão da irrigação por pivô central, que possibilitou o cultivo irrigado em larga escala em grande parte da região.


Na década de 1980, havia apenas três sistemas em operação na bacia. Desde então, o número de pivôs cresceu acentuadamente. Dados da Agência Nacional da Água mostram que havia cerca de 1.670 sistemas em 2014, número que subiu para mais de 2.300 em 2022.


Municipalities with the largest irrigated areas include Itaí, Paranapanema, Itapeva, Itaberá, and Buri.

Crescimento da irrigação comercial (1985 - 2022)


O número de pivôs de irrigação aumentou significativamente desde que os primeiros foram instalados na década de 1980.

Essa expansão reflete o crescimento de culturas voltadas para a exportação, particularmente soja e milho, e a crescente natureza corporativa da produção agrícola. A instalação e operação de um sistema de pivô central exigem um investimento de capital significativo, que normalmente está fora do alcance de pequenos agricultores familiares. Como resultado, a modernização impulsionada pela irrigação reforçou a tendência de declínio da agricultura familiar, ao lado da expansão de operações agrícolas maiores, mais capitalizadas e competitivas.

Principais conclusões

  • Na década de 1980, apenas três sistemas de irrigação por pivô central estavam em operação na região.


  • Em 2014, o número de pivôs centrais havia aumentado para aproximadamente 1.670 sistemas.


  • Em 2022, esse número ultrapassou 2.300 sistemas, indicando uma expansão muito rápida ao longo de quatro décadas.


  • Municipalities with the largest irrigated areas include Itaí, Paranapanema, Itapeva, Itaberá, and Buri.

Publicações de referência


Santos, L. L., Graciano, M. C., Araujo, J. C. L., Melo, D. P., & Martensen, A. C. (2023).Agronegócio e a busca por terra e água: uso do solo, irrigação e estrutura fundiária na Região do Alto Paranapanema – São Paulo.

Estudos Geográficos (UNESP)

Diminuição do número de propriedades agrícolas familiares e aumento da concentração de terras

Na bacia do Alto Paranapanema, o número de propriedades agrícolas familiares tem diminuído, contribuindo para um processo mais amplo de concentração de terras. De acordo com a Lei nº 11.326 (2006), o agricultor familiar é definido como o produtor que opera em no máximo quatro módulos fiscais de terra, depende principalmente do trabalho familiar e obtém a maior parte da renda familiar de atividades realizadas na propriedade rural.


A análise de Santos et al. (2023) mostra que, entre 2006 e 2017, o número total de propriedades agrícolas familiares na bacia diminuiu no geral, apesar de algumas flutuações de curto prazo. Vinte e dois municípios registraram reduções de mais de 20%, sete municípios apresentaram declínios de 10 a 20% e outros dois municípios viram perdas de 5 a 10% no número de propriedades agrícolas familiares. Essa contração ocorreu em paralelo a uma expansão significativa da área sob agricultura intensificada, indicando que as terras agrícolas têm se deslocado cada vez mais para unidades de produção maiores e mais capitalizadas.



No mesmo período, Santos et al. documentam um aumento substancial na área dedicada a sistemas agrícolas intensificados, com a agricultura intensificada expandindo-se em aproximadamente 600% entre 1987 e 2017, substituindo em grande parte as pastagens. Essa expansão esteve intimamente associada ao crescimento de sistemas de cultivo mecanizados e irrigados, reforçando um padrão no qual um número menor de propriedades controla uma parcela maior das terras agrícolas. Em conjunto, essas tendências mostram que a produção agrícola na bacia aumentou em área e intensidade, mesmo com a diminuição do número de propriedades agrícolas familiares.

Expansão da agricultura (1987 - 2017)


A área da bacia hidrográfica utilizada para a agricultura está aumentando.

Principais conclusões

Uso da terra: Entre 1987 e 2017, o uso da terra mudou drasticamente, com a expansão agrícola em áreas anteriormente dominadas por pastagens, que foram fortemente reduzidas.


Agricultura familiar: O número de estabelecimentos de agricultura familiar diminuiu em 31 dos 44 municípios entre 2006 e 2017.


Concentração de terras: A maioria dos municípios apresentou níveis médios a altos de concentração de terras, com uma intensificação desse processo em cerca de 75% dos municípios entre 1995 e 2017.

Publicações de referência


Santos, L. L., Graciano, M. C., Araujo, J. C. L., Melo, D. P., & Martensen, A. C. (2023).Agronegócio e a busca por terra e água: uso do solo, irrigação e estrutura fundiária na Região do Alto Paranapanema – São Paulo.

Estudos Geográficos (UNESP)

Atitudes dos proprietários de terras em relação ao reflorestamento

Com quase um terço das terras do Brasil destinadas à agricultura, os agricultores são atores fundamentais em qualquer esforço de recuperação da natureza em larga escala.


Na bacia superior do Paranapanema, a recuperação da natureza, como o reflorestamento, é mais eficaz quando integrada aos sistemas agrícolas existentes, em vez de ser imposta como terra reservada para a produção.


As evidências mostram que a regulamentação por si só dificilmente produzirá resultados sustentáveis de restauração. Os proprietários de terras respondem de forma mais positiva quando a recuperação da natureza é apoiada por estruturas legais claras, incentivos financeiros, assistência técnica e modelos de restauração flexíveis, como agroflorestamento ou regeneração natural.


Essas abordagens reduzem a percepção de risco, alinham a restauração à produtividade agrícola e aumentam a disposição para participar, especialmente entre os pequenos proprietários de terras. Programas em escala de bacia hidrográfica e pagamentos por serviços ecossistêmicos são particularmente importantes para viabilizar uma participação mais ampla e um compromisso de longo prazo.


Principais conclusões

  • Fazendas maiores, usadas como indicador de maior acesso a capital e recursos, estão associadas a níveis mais elevados de cobertura florestal.
  • Encostas mais íngremes, menos adequadas para a agricultura intensiva, também estão associadas ao aumento da retenção e regeneração florestal.
  • A dependência exclusiva de instrumentos políticos punitivos, como multas, está associada a um menor envolvimento dos proprietários de terras.
  • Incentivos positivos e suporte técnico estão associados a uma maior adesão e a resultados de restauração mais duradouros.

Publicações de referência

Nardy, JR, Duden, A., Martensen, AC, Henkens, K., Verweij, P., & Verburg, R. (2025).

O papel dos recursos, capacidades e percepções dos agricultores no reflorestamento e na cobertura florestal na Mata Atlântica.


Política de Uso da Terra, Volume 154, 2025

Duden, AS, Verweij, PA, Martensen, AC e Verburg, RW (2025).


Fatores que impulsionam o reflorestamento em diferentes setores de uso da terra no Estado de São Paulo


Brasil. Política de Uso do Solo, Volume 150, 2025